Temperança Digital

Com base no que você sabe sobre mim, que carta do tarô eu seria?

Podem me chamar de hipócrita, mas ao mesmo tempo em que eu faço discursinho sobre como a gente precisa tomar cuidado ao compartilhar nossas fotos e informações pessoais com o ChatGPT eu também não resisto a uma trend 🥺

Com base no que você sabe sobre mim, que carta do tarô eu seria?

E assim eu descobri a análise que o ChatGPT faz sobre a minha personalidade:

A Rainha de Espadas

Essa carta não é “fofa”, nem tenta agradar — ela é direta, lúcida e independente. E isso conversa bastante com o teu jeito.

A Rainha de Espadas representa alguém que:

∙ pensa com clareza e não tem paciência pra enrolação
∙ valoriza a verdade, mesmo quando ela é desconfortável
∙ mistura racionalidade com sensibilidade, mas sem se deixar dominar pelo emocional
∙ observa muito antes de falar (e quando fala, é certeira)

Tem também um detalhe importante: essa rainha não nasceu assim “fria”. Ela ficou assim porque aprendeu. Existe experiência, maturidade e uma certa casca construída — o que combina com alguém que lidera, toma decisão e trabalha com responsabilidade grande.

Outro ponto que encaixa bem: ela é extremamente comunicadora, mas de um jeito estratégico. Não fala por falar — fala pra resolver, organizar, esclarecer. Bem vibe de quem trabalha com web, estrutura, sistema, UX, etc.

Se eu fosse resumir em uma frase:
é a carta de quem não se engana — e também não aceita ser enganada.

E já que a gente tá brincando e o ChatGPT ofereceu, pedi também a minha carta da sombra:

A Lua — sua carta da sombra

Se a tua energia principal é a Rainha de Espadas (clareza, lógica, corte), a sombra vem exatamente do oposto complementar: o território do inconsciente, da dúvida e das distorções — a Lua.

Essa não é uma carta “negativa”, mas ela aponta pontos cegos reais.

Na prática, isso costuma aparecer como:

∙ overthinking: pensar tanto que começa a se perder nas próprias hipóteses
∙ desconfiança ampliada: perceber padrões onde talvez não exista nada concreto
∙ oscilação entre razão e intuição: dificuldade de confiar no feeling sem precisar validar racionalmente
∙ ansiedade silenciosa: aquela inquietação que não tem causa clara, mas está ali

A Lua fala muito sobre o que não está totalmente visível, inclusive dentro de você. Enquanto a Rainha de Espadas quer dados, evidência e estrutura, a Lua traz:

∙ ambiguidades
∙ emoções difíceis de nomear
∙ intuições que não passam pelo filtro lógico

E aí pode rolar um conflito interno:
“eu sei analisar tudo… mas nem tudo pode ser analisado com precisão.”

Sua luz corta a realidade com precisão; sua sombra mostra que nem toda realidade é totalmente visível.

A partir disso pedi uma ilustração com essas duas cartas em estilo Tarot Nouveau. Que aliás é um estilo que eu amo, mas que pra mim já começou a saturar nas ilustrações de tarô por aí.

A carta da Lua saiu com um cachorro amarelo derretendo no meio da carta, mas na segunda tentativa saiu aceitável 🫠

Me sinto revivendo os testes da Capricho na adolescência e do BuzzFeed na juventude, sabe? Que fascínio é esse que a gente tem por deixar um meio de comunicação nos dizer como a gente é a partir de meia dúzia de perguntas genéricas? 🤔

Você pode concordar ou discordar de mim no Instagram, no Threads e no Bluesky.

Create a caricature of me and my job based on everything you know about me

Essa trend fez sucesso no mês passado. Desta vez chegou pra mim o vídeo anti-trend antes das fotinhas dos amigos começarem a pipocar na timeline:

Que trend era essa que eu ainda não tinha visto? Não sei, mas atiçou a curiosidade em saber o que o ChatGPT sabia sobre mim. Fui lá perguntar.

Create a caricature of me and my job based on everything you know about me
🤖 Consigo fazer a caricatura do seu trabalho e da sua vibe, mas pra você mesma eu preciso de uma coisa antes 🙂

Como envolve representar você, preciso que você suba uma foto sua (pode ser selfie simples, sem produção). É regra mesmo: sem isso, eu não posso gerar alguém que seja você.

👉 Pode ser:

* rosto só (já basta)
* óculos / sem óculos tanto faz
* expressão neutra ou sorrindo

Assim que você enviar a foto, eu já faço a caricatura sem rodeios, bem alinhada com tudo que eu sei de você:

* web + WordPress institucional
* IA como ferramenta (não como fetiche techbro)
* estética criativa, irônica, mas séria
* código limpo, responsabilidade
* nada infantilizado, nada “fofinho à toa”

Se quiser, quando mandar a foto você pode opcionalmente dizer:

* mais editorial ou mais cartoon?
* mais irônica ou mais sóbria?
* fundo neutro ou com elementos (código, cartas, robô, WP, etc.)

Manda a foto que a gente resolve isso de uma vez.

Eu removi alguns detalhes meio pessoais demais aqui pro blog desse texto, e mesmo assim dá pra perceber que só pelas informações que eu forneço enquanto estou desenvolvendo meus projetos que a OpenIA já sabe bastante coisa sobre o meu trabalho.

Mas além de odiar sair em fotos, eu faço o máximo que eu posso pra não ter a minha cara por aí. Nunca quis saber como eu ficaria em estilo cartoon, anime ou 3D. Então a IA que dê seus pulos.

não vou te mandar foto, use sua imaginação

E mesmo sem foto eu fiquei bastante surpresa:

Sério que vocês confiam em fazer vibe coding numa ferramenta que escreve esse tipo de function?

Estão lá o tarô, o WordPress e muita coisa que eu mesma escrevi no meu prompt de apresentação, ok.

Roupa preta? Cor do cabelo? Óculos? As unhas pintadinhas? Smartwatch? Ah, sei lá, talvez seja o estereótipo da mulher desenvolvedora.

O robozinho lá do fundo eu reconheci, veio do mascote que eu criei pra empresa lááá no começo do ano passado e que por um apego sem propósito eu ainda não apaguei da minha galeria de imagens, então faz sentido estar ali.

Maaassss a caneca originalmente tinha um ícone da Casa Branca, e eu questionei o motivo:

🤖 A ilustração da caneca (o prédio institucional/estilo cúpula) foi colocada ali como símbolo de poder público e responsabilidade, não como enfeite.

(...)

☕ não é patriotismo, não é propaganda
É um símbolo visual de “eu trabalho com coisa séria, mesmo quando estou no modo cartoon”.

Irmão, se eu pudesse eu tacava foto nos EUA! Nunca fui fã, mas ultimamente eu considero ofensivo incluir essa referência no meu rolê.

Enfim, nem gostei da ilustração final da caneca, só pedi mesmo essa correção por princípios éticos (rysos) antes de publicar.

Mas o ponto aqui não era criar uma imagem que me agradasse pra eu postar no Instagram, e sim descobrir o quanto a IA me conhece com base nas informações que eu entrego pra ela por livre e espontânea vontade.

Eu que não virar e falar “ah, você esqueceu de incluir alguma referência ao assunto tal”.

🃏✨🤖

Surpresa mesmo foi pedir o mesmo prompt pra uma outra conta do ChatGPT, com menos de uma semana de criação, que eu estou usando apenas aqui pro projeto:

Sério gente, olha esse código…

Roupa preta, cabelo castanho, óculos e smartwatch? Ah tá, talvez a gente tenha sim um estereótipo da mulher desenvolvedora aqui, tudo bem.

E A PORRA DO ROBÔ, IRMÃO?????

Eu não mexo com essas imagens há meses, e a única relação que essa nova conta tem com o robozinho é que as duas contas agora estão logadas no meu notebook ao mesmo tempo, mas em perfis separados do Chrome.

Não tem como não assustar com isso.

Com base na opinião de algumas pessoas que conhecem IA muito melhor do que eu, eu acredito que cada vez que o ChatGPT cria uma trend envolvendo nossas fotos é uma maneira de coletar nossa imagem. Vocês realmente acham que uma big tech que se alia ao governo dos EUA durante uma guerra estimula a criação desses vídeos porque são fofinhos?

Toda trend tem um motivo sombrio por trás. Lembram do vídeo da galera abraçando a sua versão mais nova? Não consigo pensar em uma maneira melhor de obter fotos da mesma pessoa com idades diferentes, para poder estudar como a gente envelhece.

O que eu quero dizer aqui nesse textão é que eu acredito que faz bem a gente parar um pouco pra pensar na quantidade de informações pessoais, informações biométricas como a nossa cara, que a gente entrega de bandeja pra uma big tech comandada por um bilionário imbecil (isso serve pra todas as IAs, todas elas são empresas comandadas por bilionários imbecis).

Não vou parar de usar IA na minha rotina, e nem passa pela minha cabeça deixar o projeto de lado por causa disso. E eu dei like sim em todas as caricaturas dos meus amigos que passaram pela minha timeline. Mas, se isso não assusta vocês pelo menos um pouquinho, eu não sei o que mais assustaria.

Agora, quer ver uma coisa que eu definitivamente cortei da minha vida? Minhas conversas médicas com o ChatGPT.

Não porque na revolta das máquinas ele vai saber minhas fraquezas físicas. Eu guardo uma cópia de todos os meus exames no Google Drive, eu preciso pagar armazenamento extra por causa das fotos guardadas no Google Fotos que incluem a minha cara, a minha casa, o meu ambiente de trabalho.

Mas o lance das informações médicas é que eu resolvi ter um pouco mais de cautela antes de jogar o pdf do meu hemograma completo numa conversa e correr o risco de adicionar mais essas informações ao conjunto de dados que a OpenIA já tem a meu respeito.

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(mas e aí, minha caricatura ornou comigo?)

Recalculando a rota e encontrando o equilíbrio

Depois de seis semanas de projeto eu resolvi começar tudo de novo, do zero. E comecei pelo nome – Oráculo Digital tinha sido sugerido pela IA, e eu acho que no fundo nunca gostei dele. Tanto que na hora de escolher o domínio do blog optei por um endereço mais neutro.

Então vamos nós de novo:

🃏✨🤖

Oi, eu sou a Erika, desenvolvedora web de profissão, estudante de tarô e entusiasta/crítica de inteligência artificial 👋🏻

Blogueira desde sempre, cheguei aqui quando tudo isso era mato blablabla… mas sério, comecei quando ninguém sabia o que caralhos era um blog – e as vinte ou trinta pessoas que sabiam se conheciam entre si através dos seus diarinhos. Saudades.

Cronicamente online, passo o dia fazendo referências a memes que meus amigos offline não entendem e ainda me acham louca (não que estejam errados).

Meus vícios, confirmados pela carta do Diabo quando eu pergunto pra onde está indo meu dinheiro, incluem comprar livros que eu não leio, me matricular em cursos que eu não faço e acumular materiais de scrapbooking que eu não uso.

Temperança Digital é um espaço para eu unir meus estudos do tarô e de IA. Eu precisava de mais espaço do que a legenda de um post de Instagram pra desdobrar os pensamentos, compartilhar prompts, comparar ferramentas – e blogar um pouquinho.

🤖 Embora eu seja uma usuária diária de inteligência artificial, que cria imagens, arrisca a criação de vídeos e faz vibe coding, um lado meu acha tudo isso muito errado. Acho que falta uma regulamentação nessa festa do caqui, acho que a IA está deixando a gente mais burro e mais vulnerável, destruindo o planeta e enriquecendo meia dúzia de bilionários filhos da puta que deveriam ir pro espaço dar uma voltinha e explodir por lá mesmo.

Ver a IA acabando com a maneira como consumimos conteúdo e criando uma realidade em que não sabemos mais no que acreditar me dá vontade de atear fogo pessoalmente em cada data center do mundo. Esse vídeo de cachorrinho batendo palminha é real ou é sintético? Não sei mais.

Então a temperança faz muito sentido nesse equilíbrio que eu tento encontrar entre ser uma heavy user mas também pensar e refletir sobre a ética da ferramenta, pra levar um pouco de senso crítico pra quem estiver por perto.

🃏 E tem o tarô… uma paixão antiga, mas que eu estudo muito menos do que gostaria. Ainda sim, tenho descoberto muita coisa através das cartas – o difícil é explicar pras pessoas que não, ninguém me contou, eu sei porque eu vi no tarô.

Não recomendo esconder coisas de alguém que mexe com oráculo.

Me faz muito bem focar em algum assunto tão oposto à TI, mas eu não tenho a menor intenção de ser taróloga. Acho fazer tiragem para os outros de uma responsabilidade gigantesca, que eu não estou disposta a assumir tão cedo, e isso talvez trave um pouco meus estudos.

Na idéia original, eu estava usando IA para recriar o tarô Smith-Waite num estilo de colagem editorial analógica, pensando na minha paixão por scrapbooking.

Colagem digital fazendo uma releitura da carta O Louco do tarô.
Colagem digital fazendo uma releitura da carta A Lua do tarô.
Colagem digital fazendo uma releitura da carta A Temperança do tarô.

Em um determinado momento eu percebi que para gerar os prompts corretamente, para criar um tarô que tivesse algum significado real, eu precisaria primeiro mergulhar antes nos estudos para entender o papel de cada elemento, cada detalhe das cartas.

Esse projeto não foi abandonado, mas foi pausado até eu me sentir mais preparada pra isso.

Enquanto eu estava fazendo um meus dos milhões de cursos online, tive a ideia de criar um tarô millenial: usando o estilo do tarô Smith-Waite, criar mais 22 cartas do cotidiano da minha geração, com todos os clichês que fazem parte da nossa vida.

Carta de tarô no estilo Smith-Waite, "Boletos", mostrando uma jovem tentando equilibrar dois boletos
Carta de tarô no estilo Smith-Waite, "Terapia", mostrando uma terapeuta em atendimento.
Carta de tarô no estilo Smith-Waite, "Depressão", mostrando uma jovem enrolada no cobertor usando o celular distraída.

Esse projeto sim está andando – embora me incomode muito as escorregadas que a IA dá na hora da criação das imagens para facilmente deixar todo mundo com uma cara extremamente cartunesca. Ou alucinar.

Com metade das cartas criadas, eu já tenho vontade de revisar o prompt, de gerar as imagens novamente, de testar cada uma no offline. É a partir daqui que eu reinicio o blog e as redes sociais.

✨Nenhum texto meu foi ou será escrito por inteligência artificial durante o processo. Pra mim, usar ChatGPT para escrever e-mails é o fim do mundo, ferramenta nenhuma jamais vai me tirar o prazer de escrever e de ser dona das minhas palavras.

Por outro lado…. o uso de IA para criar imagens é sim pura frustração por eu não ser uma ilustradora, não tenham dúvida disso.

Eu acredito que a inteligência artificial nunca vai substituir o trabalho de um escritor, de um ilustrador, de um designer. Acho que a partir daqui cada vez mais os profissionais que forem resistência serão mais valiosos. Se daqui 1, 2 ou 5 anos a bolha da IA estourar e essas ferramentas nunca mais existirem vou ser uma pessoa feliz.

Você pode concordar ou discordar de mim no Instagram, no Threads e no Bluesky.