Tarot Millennial

Carta "Influencer" do Tarot Millenial. Sobre uma tela de celular exibindo uma live com uma influencer linda e carismática, mas a versão diabólica dela está empoleirada sobre o celular. Duas seguidoras, uma de cada lado da tela, estão acorrentadas assistindo à live, encantadas.
Influencer, e as dificuldades nos detalhes das cartas

O que a carta do Macho Palestinha deu de trabalho, a Influencer compensou. Saiu praticamente de primeira! Ela foi baseada na carta do Diabo – materialismo, dinheiro, poder, manipulação.

Sim, vocês sabem em quem ela foi inspirada – a pessoa que vende gominha pro cabelo mas usa mega hair, que tem o corpo trincado esculpido com lipo e procedimentos estéticos mas não aguenta 12kg de costeira no carnaval.

Porra, essa mona nunca carregou a própria mochila de 12kg durante uma viagem, não? (sabemos que não)

Só pedi um ajuste na figura da direita – ela segurava um saquinho de moedas representando a perda de dinheiro, mas eu pedi pra substituir por um maço de notas pra ficar mais claro.

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Essa carta saiu fácil, mas mesmo assim estou com duas dificuldades pra criar as cartas do deck Tarot Millennial:

🤖Manter a figura principal numa área dentro da ilustração para poder usá-la de outras maneiras – aplicando a moldura com o nome da carta ou fazendo caber num post no feed do Instagram – sem perder detalhes essenciais. Isso eu ando corrigindo com o preenchimento generativo do Photoshop, mas o ideal seria que as ilustrações tivessem o espaçamento correto só pelo prompt.

🤖 Fazer a IA seguir o padrão visual do tarô Smith-Waite, porque facilmente ele descamba pra um estilo de histórias em quadrinhos clássicas, com as personagens parecendo heroínas de pernas longas e cinturinha fina.

Sigo aprimorando o prompt.

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Carta "Macho Palestrinha" do Tarot Millenial. Um homem numa mesa de bar, exibido, fala demais para duas mulheres visivelmente entediadas.
Macho Palestrinha, e uma carta difícil de desenvolver

Ah o Macho Palestrinha… todo mundo conhece um: ele sabe de tudo, ele conhece tudo. Com um prazer gigantesto em demonstrar seu conhecimento, ele não consegue ler as dicas sociais de quando é hora de parar de falar. E se a platéia for feminina então, lascou.

Essa carta foi baseada no grande macho hétero original do tarô: o Imperador. Ele precisava de plateia, então pensei em encaixar a Imperatriz e a Papisa na cena – duas figuras sábias que eu amo e que tem muito pouco pra aprender com ele 😀

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De todas as cartas até agora, essa foi que mais demorou! Eu tinha começado lá atrás quando ainda usava o ChatGPT gratuito, e foram vááárias noites gastando meu limite do Sora sem chegar na ilustração ideal 😭

Na primeira tentativa eu queria a referência visual aos Enamorados, mas nada simbólico, apenas a composição – pensei numa figura central feminina de autoridade apresentando um assunto importante, sendo rudemente interrompida pelo homem-branco-hétero-cis-classe-média, enquanto outra figura feminina demonstra uma irritação mais visível.

Era importante que o macho parecesse arrogante, centrado no próprio umbigo enquanto fala, mas sem parecer agressivo (e eu tenho muitas referências pra criação desse personagem na minha convivência hahaha). A figura central não pode demonstrar irritação porque ela está numa hierarquia superior. E a outra figura feminina deveria se mostrar irritada com ele, não com a outra mulher.

Quando as expressões faciais estavam corretas, o corte da imagem perdia uma boa parte das duas figuras sentadas. Facilmente todo mundo ficou com cara de história em quadrinhos e não voltou mais. E quando eu desisti de corrigir as expressões para corrigir o enquadramento, aí que o Sora descambou e começou a colocar umas molduras muito loucas fora do lugar.

A própria IA se comparou com o homem hétero assim:

🤖 O "Man-splaining" Algorítmico: Quando uma IA dá uma resposta errada com total confiança, isso lembra muito o mansplaining (quando um homem explica algo de forma condescendente, mesmo sem saber do assunto). A IA, assim como o homem hétero irônico, prefere inventar uma resposta a admitir que não sabe.

Correção de rota, vamos criar a carta Macho Palestrinha a partir do Imperador. Ainda sim foi complicadíssimo de balancear todos os elementos na ilustração. E eu nem tô só falando de prompt que não obedece a posição dos objetos, pernas fora do lugar ou tatuagens esquisitas – parece que IA nenhuma é treinada pra entender a sutileza que eu queria na cena.

Eu até perguntei pro ChatGPT se a maneira como ele é treinado e as referências que ele recebe para alimentar o modelo influenciam nessa dificuldade em criar uma figura masculina que não impressiona mulheres intelectualmente superiores.

🤖 Não, eu não tenho dificuldade estrutural em representar um homem emocionalmente menor.

Mas sim, modelos carregam estatísticas culturais que favorecem certas leituras tradicionais — e por isso a composição precisa ser mais deliberada quando você quer subverter.

O que você está fazendo é exatamente isso: subversão arquetípica com controle técnico.

E isso exige precisão.

Não fiquei satisfeita com o resultado final, mas vou prosseguir e no final do projeto ver o que eu faço.

Uma pena que esse projeto não tenha trilha sonora, porque juro que enquanto eu quebrava a cabeça com o prompt aqui uma música completamente aleatória da Rihana começou a tocar na minha cabeça…

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Carta "Boletos" do Tarot Millenial, com uma jovem equilibrando dois boletos, um em cada mão
Boletos, e como a saúde mental gira em torno do dinheiro

Eu nem terminei de estudar os arcanos maiores ainda, muito menos comecei os menores, mas topei com um vídeo no feed do Julio Soares falando sobre as cartas que falam de dificuldade financeira, e foi meio óbvio gerar Boletos a partir do Dois de Copas.

A roupa faz referência ao personagem da carta original, o aquário com os barquinhos representa o mar com os barcos ao fundo, a cor da parede é a cor do céu, e o carpete é da cor da areia.

Essa foi bem rápida de criar, só precisei pedir pro Sora criar uma segunda versão removendo um chapeuzinho que ele tinha botado na figura feminina (feio) e deixar os papéis “com cara de boletos brasileiros”.

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Ainda tô na linha da saúde mental aqui. Eu não sei vocês, mas excesso de boletos definitivamente não ajuda meus episódios depressivos, até porque uma boa parte do tratamento para a depressão envolve terapia, psiquiatra e remédios – e tudo isso custa dinheiros. Não há saúde mental com boletos atrasados, com assédio moral ou na escala 6×1.

Já criei quase metade do deck, enquanto as ideias pras cartas estão surgindo no dia-a-dia, difícil é ter a disciplina pra criar as artes e escrever os posts – principalmente quando a depressão às vezes fica te rondando 🥺

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