Shakira no Rio, e meu cansaço com a IA
Carta Shakira do Tarot Millenial. A ilustração mostra a cantora Shakira se apresentando num palco, mas o fundo é um sol e um campo de girassóis.

Com quase uma semana de delay, uma carta extra do Tarot Millenial pra homenagear a Shakira e seu show em Copacabana.

Se você se lembra de cantar o refrão de Estoy Aquí, ainda que no embromation, desde pequena… sinto te informar, mas já tá na hora de falar com a sua ginecologista e agendar a sua primeira densitometria óssea 😅

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Eu tô bastante enjoada de IA. Ainda não terminei esse projeto porque peguei esse rancinho. E também porque estou com bloqueio criativo e não consigo pensar nas próximas cartas.

Eu adoraria dizer que assim que eu encerrar o Tarot Millenial eu vou fazer alguma coisa mais manual, mas eu entrei em férias e já comecei um segundo projeto de oráculo com IA, uma sibilla italiana.

Carta Hobby do Tarot Millenial. Ela mostra uma jovem tricotando. Pendurados numa coluna da sala, um bastidor de ponto-cruz, uma aquarela, um quadro de pintura a óleo e um desenho de colorir, mostrando que a jovem está sempre em busca de novos hobbies.
Hobby, e meus pensamentos sobre IA nesta semana

A carta Hobby tem muito de pessoal: eu e as BFFs somos pessoas que começam vários hobbies mas não levamos nenhum pra frente por muito tempo. Eu sei fazer crochê, tricô, ponto-cruz, bordados, scrapbooking, já fiz aula de desenho (e quero muito voltar)… conheço muita coisa, e sou bem medíocre em todas elas 😅

Junto com o hobby vem aquele monte de tralhas que a gente compra, mas essa parte a gente deixa pra lá 🥺

Ela é baseada no Oito de Ouros, a carta do tarô que fala daquela nossa fase produtiva e de aprendizado de novas habilidades. E de vez em quando é muito bom ter um passatempo offline pra sair da frente das telas, né?

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Essa semana eu tava conversando com um colega sobre o caminho da Inteligência Artificial, e eu confesso que me questionei por que eu criei esse projeto. Foi justamente pra estudar mais sobre IA e me manter imersa nesse assunto, eu sei. Mas nossa, os rumos que as big techs estão tomando são tão absurdos…

A gente estava falando sobre como o Claude diminuiu o limite de uso – essa semana não consegui gerar um código para WordPress e meus créditos gratuitos já expiraram. Talvez numa pira de produzir, algumas pessoas acabem assinando a ferramenta assim no impulso, na dependência, mas no meu caso era só preguiça de escrever uma coisa que eu sei fazer muito bem. Era final do dia e meu cérebro já estava começando a fritar, eu simplesmente me rendi.

Nessa dependência, o que acontece se de uma hora pra outra a gente ficar sem IA? No nosso caso, esquecemos como programar? E no caso das pessoas que dependem de uma ferramenta até pra elaborar um simples e-mail? Será que vale a pena usar de uma forma tão banal um produto (ou melhor, a gente é o produto) que está visivelmente alterando o clima de uma forma muito rápida?

E se a gente tiver um grande evento fora do nosso controle? Tem alguns eventos histórico que eu adoraria, de verdade, presenciar para saber como nós como profissionais de TI iriamos lidar: o estouro da bolha da IA, um grande apagão das telecomunicações e um apagão geral de energia elétrica. De ataque hacker a uma mega explosão solar, a gente não está muito longe desses cenários. Como nossos cérebros corroídos pela conveniência de terceirizar nossos pensamentos e decisões vai lidar com tudo isso?

Mais alguns eventos históricos né, que a minha geração já presenciou vários… mas eu sou naturalmente caótica, estou sempre me preparando mentalmente pro pior e me sinto confortável no caos, me deixa. Só fui sentir o burnout da pandemia bem depois.

Thread de enzzoncmendes: De todos os cenários apocalípticos, ninguém preveu que a água do mundo ia acabar pra gerar novela de fruta feita por IA

Também estavamos conversando sobre o rolê do Sam Altman ser um pedo AND sociopata, uma coisa bastante pesada pra uma pessoa tão poderosa. Não que Elon Musk ou Jeff Bezos sej muito melhores, pelo contrário. E a gente aí, entregando tudo na mão dessa gente.

Aí eu me peguei questionando o quão inútil me parece ficar aqui fazendo desenhinhos usando uma ferramenta tão maligna enquanto o mundo lá fora literalmente pega fogo. Meu Co-Star bem me disse ontem que “meu foco está em confrontar possíveis verdades desconfortáveis sobre a minha própria satisfação com a vida”.

Fiquei pensativa.

Falando em cérebro frito, as ideias para o projeto já estão esgotando e ainda falta uma meia dúzia de cartas. Socorro.

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Carta "Mãe de Planta" do Tarot Millenial. Uma jovem olha admirada para um vaso de plantas com sete flores amarelas.
Mãe de Planta, e como o ChatGPT foi projetado para te fazer delirar

Assim como a Mãe de Pet, a Mãe de Planta também é uma figura clichê na geração millennial.

Ela foi baseada no Sete de Ouros, que é a carta que fala da paciência, do trabalho que, embora passe por um processo lento, vale a pena e dá frutos. Também fala sobre a necessidade de se dedicar continuamente e manter o foco pra ter sucesso. Exatamente como cuidar de plantas.

Eu confesso que amo um vaso de erva ou de tempero, mas não tenho o mínimo talento pra cuidar deles. Arruda, alecrim, manjericão, lavanda… não posso ver que eu compro, e depois tudo morre porque eu não sei cuidar (não sei, ou não tenho disciplina?). Acho lindo quem tem uma selva dentro de casa ou na varanda.

A criação da ilustração até foi fácil, a única dificuldade foi criar o arbusto com exatamente sete flores. Que coisa irritante, tô passando uma referência exata e tô dando um número certo, sabe?

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Eu demorei pra fazer o próximo post do projeto porque estava procurando um conteúdo bom em português sobre IA pra trazer alguma reflexão pra cá. Não quero fazer os posts só por fazer, o objetivo do blog sempre foi colocar um equilíbrio entre ser heavy user de inteligência artificial e questionar os limites éticos das ferramentas.

Tenho lido muita coisa sobre como a IA está afetando as nossas vidas (obviamente pra pior) mas é tudo em inglês e eu queria ser mais inclusiva, trazer um conteúdo em português. A Mara Gomes é uma psicóloga que eu admiro pra caramba e ela fez um vídeo sobre como o ChatGPT é matematicamente feito para te levar ao delírio. Recomendo demais segui-la no Instagram ou no TikTok.

As ferramentas são tão boas quanto o uso que a gente faz delas. Prestando atenção nos resultados, questionando as respostas da IA e usando senso crítico, elas são ótimas, cada uma dentro do seu nicho. Mas quando a gente começa a usar um ChatGPT ou qualquer outra inteligência artificial para desabafar, o problema começa.

A própria Microsoft recomenda uso do Copilot apenas para fins de entretenimento, destacando que a ferramenta pode cometer erros e não funcionar conforme o esperado. A empresa também orienta que os usuários não confiem no Copilot para decisões ou aconselhamentos importantes, ressaltando que seu uso ocorre por conta e risco do próprio usuário. Quer dizer, se eles estão falando isso, pra surpresa geral de todos, eu acho que é uma boa ideia escutar…

Vou ser repetitiva aqui, mas IA não é lugar pra fazer terapia nem tratar depressão. Se cuidem!

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