Carta de tarô no estilo Smith-Waite, "Depressão", mostrando uma jovem enrolada num cobertor, sugada pela tela do celular
Depressão, e a IA não é sua terapeuta

Eu resolvi fazer a carta da Depressão porque, além de eu mesma e um monte de gente que eu conheço sofrer com a doença, ela levou uma pessoa próxima de mim.

Essa ilustração é uma releitura do Cinco de Copas, uma carta que fala sobre peso emocional. Ela foi baseada em como eu me sinto quando estou em crise: focada no lado negativo da vida, no que deu errado, scrollando infinitamente no celular, televisão ligada como ruído de fundo, tudo ao meu redor uma completa bagunça.

A gente se apega ao que já foi embora e não vê o que ainda está disponível (na carta original três taças foram derramadas mas duas ainda estão de pé – tentei representar isso pelos elementos espalhados pelo chão).

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Vou ser repetitiva aqui, mas faça terapia. E não tenha vergonha ou preconceito de procurar um psiquiatra, se a sua condição permitir. Eu frequentei o psiquiatra do SUS por um bom tempo e sei como as consultas são concorridas, e um psiquiatra particular custa os olhos da cara, mas vocês não fazem ideia da diferença que uma boa medicação faz na vida da gente.

Agora… Inteligência Artificial não substitui terapia! A ferramenta pode parecer muito acolhedora, mas ela é modelada para te prender numa conversa e concordar com você, e isso não é nada saudável.

A Wikipedia mantém uma página dedicada a mortes vinculadas a chatbots, com 16 casos documentados até agora – um número muito pequeno se a gente for pensar que muitos casos não viram notícia ou que não chegam a causar mortes, como o homem que foi hospitalizado porque o ChatGPT mandou ele trocar o sal por brometo.

Eu sei que a IA é sedutora… eu mesma me pego falando com o ChatGPT como eu falo com as minhas amigas. A minha ChatGPT é menina e se chama Luli, olha que loucura! Mas não caiam nessa armadilha. Por favor, se cuidem.

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